Continuação – Aula 1 – Morfologia, sintaxe, morfossintaxe?????

Achei relevante criar um tópico para diferenciar esses termos. Hoje uma aluna me fez a seguinte pergunta: qual é a diferença entre morfossintaxe, sintaxe e morfologia?

A morfologia é a categoria de estudo que diz respeito à palavra, às classes gramaticais/classe morfológica.  Essas classes são: substantivo, adjetivo, pronome, artigo, advérbio, verbo, numeral, conjunção e preposição.

No entanto, não faz muito sentido estudar a morfologia se ela não for aplicada ao enunciado. Por exemplo, eu havia citado no tópico anterior um exemplo de uma palavra que a morfologia categoriza como verbo, porém, quando essa palavra é utilizada em um contexto específico, ela assume outra classe de palavra:

FALAR – VERBO NO INFINITIVO

0 FALAR DO MENINO É ENGRAÇADO – FALAR = SUBSTANTIVO ACOMPANHADO PELO ARTIGO “O”.

Ou seja, é preciso que haja contexto para que se faça análise sintática ou morfológica. Só é possível, no caso anterior, verificar que falar é substantivo, pois ele apresenta-se em um contexto.

A sintaxe é a categoria de estudo que diz respeito à oração, às frases, enunciados. É a prática do falante aplicada à morfologia.  O estudo da sintaxe refere-se a termos da oração. O termo chave para o estudo da sintaxe é a sua FUNÇÃO = FUNÇÃO SINTÁTICA.

OBS: É interessante perceber o sentido de “função” aqui. Na matemática, o termo função refere-se a uma relação entre um elemento/conjunto… com outro. No caso de gramática, a função sintática significa a relação entre um termo que se constituiu em função de outro: isso é muito comum na língua e na sociedade também (nós nos constituimos em função dos outros/mesmo quando nós negamos o outro). Embora eu esteja falando de gramática, esse princípio foi utilizado na linguística por Saussure e na antropologia (Levi Strauss) em relação ao que muitos chamaram de estruturalismo.

A morfossintaxe é uma abordagem de estudo que analisa a morfologia paralelamente à  sintaxe. Essa abordagem visa a relação entre as duas análises. Ela é interessante, porque, muitas vezes, permite compreender a função da classe gramatical por analogia. Por exemplo:

1 -Os erros foram muitos.

2- Ele é muito esforçado.

Em “1-” , “muitos” é (morfologicamente) um adjetivo. Em “2” “muito” é (morfologicamente) um advérbio ( não varia). O estudo morfossintático, nesse caso, é interessante para contrastar e ao mesmo tempo validar cada um dos termos anteriores. Em “1”, muitos (variável) tem a função sintática de predicativo do sujeito. Em “2”, “muito é um adjunto adverbial de intensidade. Se um termo sintático exerce a função de adjunto adverbial, morfologicamente ele será um advérbio, pois há casos em que a classe gramatical corresponde com a função sintática. Predicativos do sujeito incluem predicados, qualidades (adjetivos).

É possível fazer essa associação a artigos e adjuntos adnominais, pois artigos (morfologia) correspondem a adjuntos adnomiais na sintaxe, necessariamente. Mas isso não funciona para todas as funções sintáticas e para todas as classes gramaticais.

Atenção a essas nomenclaturas em provas e concursos. Não confunda análise sintática, classificação sintática, com análise ou classificação morfológica. Não confunda morfologia e sintaxe, fonética e morfologia, sintaxe e morfologia, sintaxe e semântica. Verifique qual é o enfoque de análise abordado.

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3 respostas em “Continuação – Aula 1 – Morfologia, sintaxe, morfossintaxe?????

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