Ser Revisor de Texto

Sempre fui muito detalhista e perfeccionista, mas o Ofício de Revisão de Texto tem me deixado mais consciente sobre o que digo, sobre o que escrevo e até sobre o que faço. Sinto-me, às vezes, esquizofrênico ao ler tantos textos e a lidar com tantas linguagens. Multiplico-me para compreender tantos estilos e tantas áreas, sinto-me como um rio, um fluxo corrente de informações, mas, a cada percurso, diminuo o movimento, reflito e busco a crítica, a fim de (des)construir o conhecimento.

Hoje tornei-me refém de meu próprio olhar. Atento-me aos mínimos detalhes de tudo o que passa pela minha frente. Sou, portanto, muitas vezes, incompreendido, porque  desconfio de quase tudo que me circunda. Às vezes é difícil dormir, pois não consigo desligar o meu estado de consciência sobre o mundo. A minha memória tem se tornado cada vez mais ativa, faço associações muito complexas e vejo interdisciplinaridade em quase tudo.

Duas vezes ao ano, tento esquecer que sou Revisor: pego um avião e desapareço de minha própria nação, de minha própria língua. Mas alguém sempre me lembra desse fato. Especialmente por e-mail, solicitando algum serviço. Fico feliz e sinto-me reconhecido, mas, embora precise de descanso, resisto em não trabalhar. Retorno às minhas origens e inicio o processo novamente.

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