Dicas e sugestões para correção de textos acadêmicos

Deixo registrado nesse post algumas memórias de e-mail que respondi a clientes em relação às interveções que realizei nos textos destes. As indicações gramaticais, estilísticas e sugestões a seguir referem-se aos gêneros acadêmicos (artigos científicos, dissertações…).
 1. Perceba que deixei algumas sugestões de reescrita de períodos mal elaborados que não implicam “erro” gramatical, mas questões estilísticas que não se adequam aos gêneros acadêmicos. Fiz várias “alterações”/sugestões em relação ao uso excessivo do verbo ser no artigo, a fim de, embora esta seja uma questão estilística, evitar repetições (“é… é… é… é… é…”). Além disso, o verbo ser é, muitas vezes, esvaziado de sentido (ele é um verbo de ligação) e, por isso, costumo sugerir verbos mais significativos (verbos transitivos, por exemplo), que têm maior carga de sentido e alinham-se melhor ao estilo acadêmico, como é o caso de “consiste em”, “constitui”, “implica”, entre outros. Além disso, sempre sugiro que artigos indefinidos em excesso sejam suprimidos como “um” e “uma” em textos acadêmicos, pois eles são desnecessários, na maioria das vezes, e, também, deixam o texto bastante repetitivo (o uso desses artigos é mais comum em textos mais informais ou em nossas conversações cotidianas).
2. Em relação à alteração de “a partir de” por “com base em”, refiro-me a uma questão do Vernáculo muito discutida por gramáticos bastante conservadores, que sugerem o uso de “a partir de”, por exemplo, somente para datas/períodos, para os outros casos, o uso adequado é “com base em”.
3. Quando sugiro alteração, por exemplo, na oração: “os argumentos desenvolvidos nesta pesquisa são sustentados…”, refiro-me a um problema lógico de estrutura desse período. O artigo acadêmico não constitui, em si, “a pesquisa”, mas o gênero textual pelo qual o pesquisador apresenta o seu estudo (a pesquisa). Perceba que a pesquisa é muito maior do que o artigo em si. O artigo acadêmico, apenas, apresenta pesquisa, mas não é a pesquisa em si. Nesse sentido sugiro a alteração do termo em destaque por: “neste artigo“.
4. No caso de alterar “primeiro” por “primeiramente”, esta sugestão buscou deixar o texto mais próximo da linguagem à qual ele pertence: formal. “Primeiro” é registro mais utilizado em linguagem informal. Isso também ocorre em relação ao uso do advérbio “só” e “somente”; frequente” e “frequentemente”.  Segundo alguns gramáticos, essas alterações são importantes para que o advérbio não se confunda com adjetivo, como no caso das orações a seguir:
5. No caso da troca de “onde” por “em que”, “Onde” é mais coloquial e deve-se utilizar, em textos formais, apenas em referência a lugar físico, em outros casos, deve ser alterado por “em que”. Por exemplo:
“A reunião onde fui.” (Perceba que a reunião não constitui um lugar, mas um evento).
Quando sugiro cuidado com vocábulos “absolutos”, manifesto posicionamento científico, relativo à minha experiência como pesquisador. Deve-se evitar, em trabalhos acadêmicos, posturas tão absolutas em relação ao uso de determinados vocábulos, afinal, ciência alguma hoje busca essas verdades. Esse pensamento está muito relacionado aos séculos passados, em que a visão de ciência era tida como a única verdade (absoluta) e isso tem mudado, mesmo nas áreas mais tradicionais de exatas. Isso deve-se à chamada “Virada Cultural” do século passado, que teve grande repercussão, entre outros, no meio científico.

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Dicas para elaboração de resumo de trabalhos acadêmicos

O resumo é o texto que irá apresentar a outros pesquisadores o seu trabalho acadêmico. Portanto, deve apresentar algum referencial teórico (mínimo de dois autores), explicar a proposta de pesquisa, incluindo a meotodologia utilizada e apontar alguns resultados. Isso parece simples, mas muitos não compreendem a importância de um resumo para o meio científico. Escrevem-se resumos, principalmente, para que pesquisadores e estudantes, anteriormente ao processo de ler determinados trabalhos acadêmicos, saibam sobre o que as pesquisas apresentatas nesses trabalhos tratam.

Sugiro que resumos não sejam divididos por parágrafos e que sejam redigidos de maneira objetiva. Mesmo que a proposta de investigação enfoque o uso de primeira pessoa do singular, evite utilizá-la em resumos. Após introduzir o vocábulo “Resumo:” utilize letra minúscula. Evite resumos muito curtos ou muito longos, redija, no mínimo cerca de 100-500 palavras (isso é variável e depende do tipo de trabalho acadêmico).

Atenha-se às palavras-chave de seu trabalho, deve se ter cuidado em relação a elas, pois elas permitirão que outros autores encontrem o seu trabalho e citem-no. Além disso, não “joguem”, simplesmente, no google tradutor o resumo de seus trabalhos acadêmicos. O Abstract é um elemento textual fundamental ao seu trabalho, pois insere-o nos olhares de comunidades científicas internacionais. Se você não redigir bem o seu abstract, ele não cumprirá o papel dele na divulgação de seu trabalho.

Este estudo? Esta pesquisa?

O texto acadêmico não constitui, em si, um estudo. O texto acadêmico (artigo, trabalho de conclusão de curso, dissertação ou tese) apresenta determinado estudo. A investigação ou o estudo é muito maior do que o texto acadêmico. O texto acadêmico revela os resultados do estudo ou da pesquisa realizada durante a graduação, curso de especialização, mestrado ou doutorado. Portanto, sugiro, nesse caso, que, para melhor adequação/lógica à linguagem acadêmica, “este estudo” seja alterado para “o estudo proposto nesta dissertação/tese/artigo”.

Uso dos pronomes relativos

O uso correto dos pronomes relativos

Pronomes relativos são utilizados para representar nomes que foram anteriormente citados. Esses pronomes iniciam uma nova oração, ocasionando uma relação entre as duas orações.

Exemplo:

O lugar para onde fomos é maravilhoso.

O pronome relativo onde retoma o lugar. (Quando não houver sentido de lugar, utilize “em que”).

Os pronomes relativos são divididos em variáveis e invariáveis.

Os variáveis podem ser masculinos (o qual, os quais, cujo, cujos, quanto, quantos) ou femininos (a qual, as quais, cuja, cujas, quanta, quantas).

Exemplos:

Estarão aprovados os alunos cujos nomes constem na lista. (não existe “cujo a” ou “cujo o”.)

A garota da qual falei é bonita. (o uso da preposição nesse caso está relacionado à regência do verbo “falar”.)

Pegue tanto quanto precisar. (não há vírgula separando “tanto quanto”).

Os invariáveis são três: quem, que e onde.

Exemplos:

Aquele é o ator a quem me referi ontem. (perceba que o uso da preposição “a” deve-se à regência do verbo “referir-se”).

O garoto que veio aqui era inteligente.

Esta pesquisa ou esta dissertação?

Ao fazer menção ao seu texto acadêmico, você deve escrever: “esta dissertação”, “este trabalho de conclusão de curso”, “este artigo”, “esta tese”. Para que o texto não fique repetitivo, você poderá escrever “este trabalho”, “este estudo”, mas “esta pesquisa” não é termo mais adequado para referir-se ao seu texto acadêmico, pois o texto não constitui a pesquisa em si. O ideal é escrever, nesse caso, “a pesquisa proposta por meio desta dissertação”, “a pesquisa proposta por meio deste artigo”, “a pesquisa apresentada nesta tese”.