Linguística Textual prática

Recebi este texto, que compartilho neste post, durante a realização do curso de Especialização em Revisão de Textos pelo UNIceub/CESAPE, em Brasília-DF. O material foi fornecido pelo Prof. Dr. Harrison Rocha, uma grande referência na área de Revisão de Textos. O texto trata, à luz da Linguística Textual, da importância dos elementos de coesão em um texto.


 

O estudo da coesão textual tem sido predominantemente desenvolvido dentro do ramo da Linguística a que se denomina Linguística do Texto.

Cabe-nos, inicialmente, dizer algumas palavras sobre essa corrente da Linguística moderna. O texto não é apenas uma soma ou sequência de frases isoladas. A coesão só ocorre quando a interpretação de algum elemento no discurso é dependente do outro – um pressupõe o outro.

Mesmo a coesão sendo uma relação de sentidos (semântica), é realizada pelo sistema-léxico gramatical. Dessa forma, cada ocorrência de um recurso coesivo no texto denomina-se “laço”, “elo coesivo.”

Beaugrande & Dressler (1982) dizem que a coesão concerne ao modo como os componentes da superfície textual — isto é, as palavras e frases que compõem um texto — encontram-se conectados entre si numa sequência linear, por meio de dependência de ordem gramatical.

A coesão não constitui, por si só, condição suficiente nem necessária para que o texto seja um texto. Tal verdade também, se aplica à coerência. O texto ideal é a junção dos dois elementos.

Concluindo-se, pode-se afirmar que o conceito de coesão textual diz respeito a todos os processos de sequencialização que asseguram (ou tornam recuperável) uma ligação linguística significativa entre os elementos que ocorrem na superfície textual.

Vejamos no texto abaixo como esses elementos coesivos operam.

TEXTO 1: OS URUBUS E SABIÁS

(1) Tudo aconteceu numa terra distante, no tempo em que os bichos falavam… (2) Os urubus, aves por natureza becadas, mas sem grandes dotes para o canto, decidiram que, mesmo contra a natureza, eles haveriam de se tornar grandes cantores. (3) E para isto fundaram escolas e importaram professores, gargarejaram dó-ré-mi-fá, mandaram imprimir diplomas, e fizeram competições entre si, para ver quais deles seriam os mais importantes e teriam a permissão de mandar nos outros. (4) Foi assim que eles organizaram concursos e se deram nomes pomposos, e o sonho de cada urubuzinho, instrutor em início de carreira, era se tornar um respeitável urubu titular, a quem todos chamavam por Vossa Excelência. (5) Tudo ia muito bem até que a doce tranqüilidade da hierarquia dos urubus foi estremecida. (6) A floresta foi invadida por bandos de pintassilgos tagarelas, que brincavam com os canários e faziam serenatas com os sabiás… (7) Os velhos urubus entornaram o bico, o rancor encrespou a testa, e eles convocaram pintassilgos, sabiás e canários para um inquérito. (8) “– Onde estão os documentos dos seus concursos?” (9) E as pobres aves se olharam perplexas, porque nunca haviam imaginado que tais coisas houvessem. (10) Não haviam passado por escolas de canto, porque o canto nascera com elas. (11) E nunca apresentaram um diploma para provar que sabiam cantar, mas cantavam, simplesmente … (12)
– Não, assim não pode ser. Cantar sem a titulação devida é um desrespeito à ordem. (13) E os urubus, em uníssono, expulsaram da floresta os passarinhos que cantavam sem alvarás … (14) MORAL: Em terra de urubus diplomados não se ouve canto de sabiá.

(Rubem Alves, Estórias de quem gosta de ensinar, Cortez Editora, São Paulo, 1984, pp. 61-62)

TEXTO 2: ITAPARICA

Dona de uma luminosidade fantástica em seus 240 quilômetros quadrados, a ilha de Itaparica elegeu a liberdade como padrão e fez da aventura uma experiência que não tem hora para começar. (2) Ali tudo flui espontaneamente, desde que o sol nasce, anunciando mais um dia, até a noite chegar, com o luar refletindo no mar e as luzes de Salvador como pano de fundo. (3) De resto, a ilha funciona como um quebra-mar que protege todo o interior da Baía de Todos os Santos. (4) É a maior de todas as 54 da região – a ilha-mãe, para melhor definir a geografia local.

…………………………………………………………………..

(5) Como toda localidade baiana que se preza, a ilha pratica ritos de antigas raízes místicas. (6) E nisto também é singular. (7) Ela abriga o único candomblé do mundo consagrado aos eguns, nome atribuído aos espíritos dos mortos. (8) A tradição desse culto foi herdada da nação Ketu e tem presença garantida, quatro vezes por ano, em suas cerimônias mais importantes, de muitos africanos que vêm especialmente de seus países para o evento. (9) Nos cultos, não é permitida a entrada de não iniciados, a não ser com autorização de alguns sacerdotes egós, os únicos dotados de poder para manter os eguns afastados. (10) Eles usam varas brancas e compridas, para evitar que algum mal aconteça aos que apenas vão assistir aos rituais. (11) Nessas ocasiões, uma vela deve ser reverenciada por todos antes das cerimônias, colocada no alto do morro das Amoreiras. (…)

(Kátia Simões, Shopping News, Caderno de Turismo, p, l0, 12/03/89)

Revisão de Texto em Marília

Você busca por Revisão de Texto em Marília? Seja bem-vindo(a) ao meu site!

Meu nome é Anderson Hander. Sou Revisor de Textos desde 2006. Formei em Letras pela UnB (Universidade de Brasília), cursei especialização em Revisão de Textos em Brasília-DF pelo UNIceub (Centro Universitário de Brasília) e fiz mestrado na área de texto, também, na UnB. Um dos meus diferenciais como Revisor se refere ao fato de eu ter sido treinado em um programa de estágio do Supremo Tribunal Federal (STF) durante um ano e alguns meses, revisando textos acórdãos dos ministros do STF publicados em uma Revista Trimestral de Jurisprudência. Também fui convidado para revisar duas vezes algumas inventários sobre Meio Ambiente da Organização das Nações Unidas (ONU).

Informações importantes antes de contratar o serviço

Há muitos mal entendidos sobre Língua Portuguesa no Brasil, bem como sobre o que é Revisão de Textos e o que este profissional faz. Tenho vários posts explicando aos meus clientes o que é Revisão de Texto. Acredito que seja o meu papel informar aos meus clientes bem como aos meus seguidores essas questões, especialmente em virtude de eu ser Linguista e uma referência na área de Revisão de Textos no Brasil.

  1. O que é Revisão de Textos?
  2. Mitos sobre Revisão de Textos
  3. Página, um conceito esvaziado de sentido
  4. O dia a dia de um Revisor de Textos
  5. Erro de Revisão de Textos
  6. Mentiras sobre Revisão de Textos
  7. O que faz um Revisor de Textos
  8. Etapas durante a Revisão de Textos
  9. Qualidades de um Revisor de Textos
  10. Anderson Hander Revisor de Textos 

Quanto custa?

Cobro por lauda. 1 lauda = 1300 caracteres com espaços.

1 – Formatação (conforme a ABNT, APA, Vancouver ou manual desejado): 4,00 reais a lauda. Inclui checagem a respeito de formatação das Normas da ABNT ou manual desejado*;

2 – Revisão Ortográfica e Gramatical: 5,00 reais a lauda. Inclui revisão ortográfica conforme o Novo Acordo Ortográfico, observação de aspectos de concordância/regência nominal e verbal, crase, pontuação e outros aspectos gramaticais relativos à linguagem do gênero textual proposto;

3 – Revisão Ortográfica e Gramatical  + formatação (ABNT ou manual desejado): 7,00 reais a lauda.  Inclui revisão 2 + formatação (ABNT/outros);

4 – Revisão Crítica: 10,00 reais a lauda. Inclui revisão 2 (Revisão Ortográfica e Gramatical), além de sugestões estilísticas, *reescrita/sugestão de reescrita de parágrafos mal elaborados, adequação vocabular, progressão textual e aspectos de coesão e coerência. Essa revisão também inclui sugestões e dicas em relação ao gênero textual proposto.

5 – revisão crítica + formatação (conforme ABNT ou manual desejado): 12,00 reais a lauda.  Inclui revisão 4 e contempla algumas questões relativas à padronização de seu texto que não são estabelecidas, por exemplo, pelas normas da ABNT (ou pela maioria dos manuais universitários) e por manuais gramaticais ou ortográficos, como é o caso de uniformização de siglas, uniformização de pontuação ao final de enumeração, uniformização de iniciais minúsculas ou maiúsculas, uniformização de extensão de parágrafos, enfim, questões relacionadas à lógica organizacional do próprio texto e de seus elementos.

Prazo de entrega

Solicito cerca de 3 a 4 dias úteis de entrega para cada 100 laudas enviadas. Também atendo com prazos urgentes, se eu tiver tempo (entre em contato nesse caso).

Obs: evite encaminhar textos a Revisores para entrega com prazo urgente. É preciso de dedicação ao texto para que o serviço seja de qualidade, e o tempo é um determinante para o Ofício de Revisão de Texto.

Contatos

Facebook: https://web.facebook.com/criteriorevisao/ (curta a minha página no Facebook. Você, também, tem a opção de curti-la neste site, à direita, parte superior).

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E-mails: andersonhander@gmail.com ou servicos@criteriorevisao.com.br

Telefone: (61) 99801-6596 (Whatsapp)

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Avanços em Linguística Textual

Excelente material, produzido por Paulo de Tarso Galembeck, para (re)pensar a Linguística textual e, também, o ofício de Revisão de Texto. O conhecimento da Linguística, especialmente da Linguística Textual, permite desmistificar concepções errôneas sobre Língua Portuguesa, bem como sobre Texto.


A LINGUÍSTICA TEXTUAL E SEUS MAIS RECENTES AVANÇOS

Paulo de Tarso Galembeck (UEL)

Este texto apresenta os mais recentes avanços da Linguística Textual, a partir do exame das etapas da evolução dos estudos do texto. Para tanto, apresentam-se os três passos da evolução dos estudos do texto (análises transfrásticas, gramáticas textuais, teorias de texto). Na última parte do trabalho, discute-se a conceituação do texto como processo (e não como produto), e o papel do contexto interacional na depreensão dos sentidos do texto.

O percurso da Linguística Textual

A adoção do texto e do discurso como unidade básica dos estudos linguísticos não foi um processo unitário e uniforme, já que houve várias orientações, às quais correspondiam propostas teórico-metodológicas diversas. De forma genérica, essas propostas podem ser agrupadas em duas tendências: a Análise do Discurso de linha francesa e a Linguística Textual, oriunda, sobretudo dos países germânicos (Alemanha, Países-Baixos) ou do Reino Unido. Na primeira, as preocupações dominantes são o sujeito da enunciação (um ser situado num dado momento histórico), os sentidos que ele produz e a ideologia que subjaz à sua mensagem. A Linguística Textual tinha por objeto específico os processos de construção textual, por meio dos quais os participantes do ato comunicativo criam sentidos e interagem com outros seres humanos.

Na sequência deste texto, são expostos os três passos principais da evolução da Linguística Textual: as análises transfrásticas, a Gramática de Texto e a Teoria do Texto.

Análises transfrásticas

As análises transfrásticas ainda não consideram o texto como o objeto de análise, pois o percurso ainda é da frase para o texto. Aliás, as análises transfrásticas surgiram a partir da observação de que certos fenômenos não poderiam ser explicados pelas teorias vigentes na época (estruturalismo e gramática gerativa), por ultrapassarem os limites da frase simples e complexa: a co-referenciação (anáfora); a correlação de tempos verbais; o uso de conectores interfrasais; o uso de elementos e indefinidos. Veja-se o exemplo a seguir:

  • O que os escândalos do governo Lula mostram é um antídoto à desculpa tipicamente nacional de que corrupção existe em todo lugar. Afinal revelam um padrão que, como gosta de dizer o presidente, “nunca, em 500 anos de história”, foi muito diferente do que é agora. Portanto, têm uma especificidade, e sem olhar para ela, o problema não será combatido e atenuado” (Daniel Piza, “O labirinto da corrupção”, O Estado de S. Paulo, 3/7/05, D3, p. 03)

Verifique-se, no fragmento acima, a presença dos conectores interfrásticos (afinal, portanto); a presença de relações anafóricas entre termos situados em frases diferentes (o presidente, retomando Lula; as elipses – afinal Ø revelam; Ø têm – que remetem escândalos; o problema, referindo-se à corrupção); o emprego dos tempos verbais (presente e futuro).

Se observados a partir de uma perspectiva textual, os elementos citados (anafóricos, conectores, tempos verbais) passam a ser encarados a partir de uma perspectiva diferenciada. Com efeito, os anafóricos deixam de ser considerados meros substitutos (termo que entra no lugar de outro) e passam a ser vistos como termos que possibilitam a retomada do dado, para que a ele sejam acrescidas novas informações. Assim, a retomada de Lula por o presidente indica que ele sabe da existência da corrupção. Os conectivos afinal e portanto têm um nítido papel argumentativo: o primeiro introduz um fragmento que retoma o que foi dito e, ao mesmo tempo, encaminha o leitor para uma conclusão. Já o portanto encaminha o leitor para as conclusões desejadas pelo autor.

Os autores dessa fase valorizaram, sobretudo, o estudo dos vínculos interfrásticos (elementos coesivos). Nesse sentido, Harweg (1968) define texto como “uma sequência pronominal ininterrupta” e menciona como uma de suas (do texto) principais características o fenômeno do múltiplo referenciamento. Isenberg (1971) conceitua texto como uma “sequência coerente de enunciados” e enfatiza que o papel dos elementos coesivos no estabelecimento da coerência textual.

O papel atribuído aos elementos coesivos no estabelecimento do sentido global do texto, porém, foi questionado quando se verificou que os citados elementos não são essenciais para a compreensão do sentido global do texto. Vejam-se os exemplos a seguir:

02)

2a) Não vi o acidente: não posso apontar o culpado.

2b) Não vi o acidente: naquela hora, tinha acabado de entrar na loja.

2c) Não vi o acidente, contaram-me que ele não respeitou a preferencial.

Mesmo sem a ausência de conectivos; ouvinte/leitor tem a capacidade de construir o significado global da sequência, porque pode estabelecer as relações lógico-argumentativas entre as partes dos enunciados: 2a: relação conclusiva (portanto), 2b: relação explicativa (pois), 2c: relação adversativa (porém).

Em outros textos, verifica-se que a presença de elementos coesivos não basta para assegurar o sentido global ao texto:

03)

Ivo viu a uva.

A uva é verde.

A vagem também é verde.

Vovó cozinha a vagem.

A necessidade de considerar o conhecimento intuitivo do falante na construção do sentido global do enunciado e no estabelecimento das relações entre as sentenças, e o fato de vínculos coesivos não assegurarem unidade ao texto conduzem à construção de outra linha de pesquisa. Nessa nova linha, procurou-se considerar o texto não apenas como uma lista de frases, mas um todo, dotado de unidade própria.

Gramáticas de texto

De acordo com Marcuschi (1999), as gramáticas textuais, pela primeira vez, propuseram o texto como o objeto central da Linguística e, assim, procuraram estabelecer um sistema de regras finito e recorrente, partilhado (internalizado) por todos os usuários de uma língua. Esse sistema de regras habilitaria os usuários a identificar se uma dada sequência de frases constitui (ou não) um texto e se esse texto é bem formado.

Esse conjunto de regras constitui a competência textual de cada usuário e permite aos usuários diferenciar entre um conjunto aleatório de palavras ou frases, ou um texto dotado de sentido pleno. Outras manifestações dessa competência são a capacidade de resumir ou parafrasear um texto, perceber se ele está completo ou incompleto, produzir outros textos a partir dele, atribuir-lhe um título, diferenciar as partes constitutivas do mesmo e estabelecer as relações entre essas partes.

Charolles (1983) admite que o falante possui três competências básicas:

  1. Competência formativa: permite ao usuário produzir e compreender um número infinito de texto e avaliar, de modo convergente, a boa ou má formação de um texto. 2. Competência transformativa: refere-se à capacidade de resumir um texto, parafraseá-lo, reformulá-lo, ou atribuir-lhe um título, assim como de avaliar a adequação do resultado dessas atividades. 3. Competência qualificativa: concerne à capacidade de o usuário identificar o tipo ou gênero de um dado tipo, bem como à possibilidade de produzir um texto de um tipo particular.

As gramáticas de texto tiveram o mérito de estabelecer duas noções basilares para a consolidação dos estudos concernentes ao texto/discurso. A primeira é a verificação de que o texto constitui a unidade linguística mais elevada e se desdobra ou se subdivide em unidades menores, igualmente passíveis de classificação. As unidades menores (inclusive os elementos léxicos e gramaticais) devem sempre ser considerados a partir do respectivo papel na estruturação da unidade textual. A segunda noção básica constitui o complemento e a decorrência da primeira noção enunciada: não existe continuidade entre frase e texto, uma vez que se trata de entidades de ordem diferente, e a significação do texto não constitui unicamente o somatório das partes que o compõem.

Apesar dos avanços apontados, cabe reconhecer alguns problemas na formulação das Gramáticas Textuais. O primeiro é a conceituação do texto como uma unidade formal, dotada de uma estrutura interna e gerada a partir de um sistema finito de regras, internalizado por todos os usuários da língua. Esse sistema finito de regras constituiria a gramática textual de uma língua, semelhante, em sua formulação, à gramática gerativa da sentença, de Chomsky. Ora, fica difícil propor um percurso gerativo para o texto, pelo fato de ele não constituir uma unidade estrutural, originária de uma estrutura de base e realizada por meio de transformações sucessivas. Outro problema das gramáticas de texto é a separação entre as noções de texto (unidade estrutural, gerada a partir da competência de um usuário idealizado e descontextualizado) e discurso (unidade de uso). Essa separação é injustificada, pois o texto só pode ser compreendido a partir do uso em uma situação real de interação. Foi a partir das considerações anteriores que os estudiosos iniciaram a elaboração de uma teoria de texto, que discutisse a constituição, o funcionamento, a produção dos textos em uso numa situação real de interação verbal.

Linguística textual

Como lembra Marcuschi (1998), no final da década de 1970, o enfoque deixa de ser a competência textual dos falantes e, assim, passa-se a considerar a noção de textualidade, assim estabelecida por Beaugrande e Dressler (1981): “Modo múltiplo de conexão ativado sempre que ocorrem eventos comunicativos”. Outras noções relevantes da Linguística Textual são o contexto (genericamente, o conjunto de condições externas à língua, e necessários para a produção, recepção e interpretação de texto) e interação (pois o sentido não está no texto, mas surge na interação entre o escritor/falante e o leitor/ouvinte).

Essa nova etapa no desenvolvimento da Linguística de Texto decorre de uma nova concepção de língua (não mais um sistema virtual autônomo, um conjunto de possibilidades, mas um sistema real, uso em determinados contextos comunicativos) e um novo conceito de texto (não mais encarado como um produto pronto e acabado, mas um processo uma unidade em construção). Com isso, fixou-se como objetivo a ser alcançado a análise e explicação da unidade texto em funcionamento e não a depreensão das regras subjacentes a um sistema formal abstrato. A Linguística Textual, nesse estágio de sua evolução, assume nitidamente uma feição interdisciplinar, dinâmica, funcional e processual, que não considera a língua como entidade autônoma ou formal (MARCUSCHI, 1998).

O texto como processo

A Linguística Textual parte do pressuposto de que todo fazer (ação) é necessariamente acompanhado de processos de ordem cognitivo, de modo que o agente dispõe de modelos e tipos de operações mentais. No caso do texto, consideram-se os processos mentais de que resulta o texto, numa abordagem procedimental. De acordo com Koch (2004), nessa abordagem “os parceiros da comunicação possuem saberes acumulados quanto aos diversos tipos de atividades da vida social, têm conhecimentos na memória que necessitam ser ativados para que a atividade seja coroada de sucesso”. Essas atividades geram expectativas, de que resulta um projeto nas atividades de compreensão e produção do texto.

A partir da noção de que o texto constitui um processo, Heinemann e Viehweger (1991) definem quatro grandes sistemas de conhecimento, responsáveis pelo processamento textual:

  1. Conhecimento linguístico: corresponde ao conhecimento do léxico e da gramática, responsável pela escolha dos termos e a organização do material linguístico na superfície textual, inclusive dos elementos coesivos. 2. Conhecimento enciclopédico ou de mundo: compreende as informações armazenadas na memória de cada indivíduo. O conhecimento do mundo compreende o conhecimento declarativo, manifestado por enunciações acerca dos fatos do mundo (“O Paraná divide-se em trezentos e noventa e nove municípios”; “Santos é o maior porto da América Latina”) e o conhecimento episódico e intuitivo, adquirido através da experiência (“Não dá para encostar o dedo no ferro em brasa.”). Ambas as formas de conhecimento são estruturadas em modelos cognitivos. Isso significa que os conceitos são organizados em blocos e formam uma rede de relações, de modo que um dado conceito sempre evoca uma série de entidades. É o caso de futebol, ao qual se associam: clubes, jogadores, uniforme, chuteira, bola, apito, arbitro… Aliás, graças a essa estruturação, o conhecimento enciclopédico transforma-se em conhecimento procedimental, que fornece instruções para agir em situações particulares e agir em situações específicas. 3. Conhecimento interacional: relaciona-se com a dimensão interpessoal da linguagem, ou seja, com a realização de certas ações por meio da linguagem. Divide-se em: 3.1 conhecimento ilocucional: referentes aos meios diretos e indiretos utilizados para atingir um dado objetivo; 3.2 conhecimento comunicacional: ligado ao anterior, relaciona-se com os meios adequados para atingir os objetivos desejados; 3.3 conhecimento metacomunicativo: refere-se aos meios empregados para prevenir e evitar distúrbios na comunicação (procedimentos de atenuação, paráfrases, parênteses de esclarecimento, entre outros). 4. Conhecimento acerca de superestruturas ou modelos textuais globais: permite aos usuários reconhecer um texto como pertencente a determinado gênero ou tipo.

Contexto e interação

O processamento do texto depende não só das características internas do texto, como do conhecimento dos usuários, pois é esse conhecimento que define as estratégias a serem utilizadas na produção/recepção do texto. Todo e qualquer processo de produção de textos caracteriza-se como um processo ativo e contínuo do sentido, e liga-se a toda uma rede de unidades e elementos suplementares, ativados necessariamente em relação a um dado contexto socioculural. Dessa forma, pode-se admitir que a construção do sentido só ocorre num dado contexto.

Aliás, segundo Sperber e Wilson (1986) o contexto cria efeitos que permitem a interação entre informações velhas e novas, de modo que entre ambas se cria uma implicação. Essa implicação só é possível porque existe uma continuidade entre texto e contexto e, além do mais, a cognição é um fenômeno situado, que acontece igualmente dentro da mente e fora dela.

O sentido de um texto e a rede conceitual que a ele subjaz emergem em diversas atividades nas quais os indivíduos se engajam. Essas atividades são sempre situadas e as operações de construção do sentido resultam de várias ações praticadas pelos indivíduos, e não ocorrem apenas na cabeça deles. Essas ações sempre envolvem mais de um indivíduo, pois são ações conjuntas e coordenadas: o escritor/falante tem consciência de que se dirige a alguém, num contexto determinado, assim como o ouvinte/leitor só pode compreender o texto se o inserir num dado contexto. A produção e a recepção de textos são, pois, atividades situadas, e o sentido flui do próprio contexto.

Essa nova perspectiva deriva do caráter dialógico da linguagem: o ser humano só se constrói como ator e agente e só define sua identidade em face do outro. O ser humano só o é em face do outro e só define como tal numa relação dinâmica com a alteridade (BAKHTIN, 1992). A compreensão da mensagem é, desse modo, uma atividade interativa e contextualizada, pois requer a mobilização de um vasto conjunto de saberes e habilidades e a inserção desses saberes e habilidades no interior de um evento comunicativo.

O sentido de um texto é construído (ou reconstruído) na interação texto-sujeitos (ou texto-co-enunciadores) e não como algo prévio a essa interação.

Cabe assinalar, em forma de conclusão, que essa nova visão acerca de texto, contexto e interação resulta, inicialmente, de uma contribuição relevante, proporcionada pelos estudiosos das ciências cognitivas: a ausência de barreiras entre exterioridade e interioridade, entre fenômenos mentais e fenômenos físicos e sociais. De acordo com essa nova perspectiva, há uma continuidade entre cognição e cultura, pois esta é apreendida socialmente, mas armazenada individualmente.

Ressalta-se, também, a evolução da noção de contexto. Para a análise transfrástica o contexto era apenas o co-texto (segmentos textuais precedentes e subsequentes, a um dado enunciado). Já para a Gramática de Texto contexto é a situação de enunciação, conceito que foi ampliado para abranger, na Linguística Textual, o entorno sociocultural e histórico comum aos membros de uma sociedade e armazenado individualmente em forma de modelos cognitivos. Atualmente, o contexto é representado pelo espaço comum que os sujeitos constroem na própria interação.

REFERÊNCIAS 

BEAUGRANDE, Robert-Alain de e DRESSLER, Wolfgang U. Introduction to Text Linguistics. London: Longman, 1981.

BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

CHAROLLES, Michel. Coherence as a principle of Interpretability of Discourse. Text, 3 (1) , 1983, p. 71-98.

HEINEMANN, Wolfgang e VIEHWEGER, D. Textlinguistik: eine Einführung. Tübingen: Niemeyer, 1991.

HARWEG, Roland. Pronomina und Textkonstitution. München: Fink, 1968.

ISENBERG, Horst. Überlergungen zur Texttheorie. In: Jens 1 hwe (ed.). Literaturwissenschaft und Limgustik. Frankfürt: Athenäum, 1971, p. 150-173.

KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça. Introdução à lingüística textual. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Aspectos lingüísticos, sociais e cognitivos da produção de sentido. 1998, (mimeo).

SPERBER, Dan e WILSON, Deidre. Relevance. Communication and Cognition. Oxford: Blackwell, 1986.

Orçamento para Revisão de Texto

Compartilho com vocês um exemplo de como realizo a contagem de laudas para orçar o custo de meu serviço para os meus clientes. No caso do exemplo que apresento neste post, a cliente solicitou serviço de Revisão Crítica, cujo custo é de 10,00 reais por lauda. Eu ofereço vários tipos de serviço, há uma tabela de preço em meu site. O serviço mais simples, Revisão Ortográfica e Gramatical, custa 5,00 reais por lauda. No caso de formatação, conforme ABNT ou manual próprio, o custo é de 4,00 reais por lauda.


Orçamento

Prezado cliente, boa tarde!

O seu trabalho contém 39.230 caracteres com espaços, ou seja, 30,17 laudas (1 lauda = 1300 caracteres com espaços).

Custo (Revisão Crítica, e Revisão Ortográfica e Gramatical)
30,17 x 10,00 = 301,76 reais

Formas de pagamento
Pagseguro (parcelamento em até 24 vezes)
Boleto (à vista. Para emissão de boleto, envie cep, cpf, nome e endereço completo. O boleto será gerado com vencimento para um dia após a entrega do trabalho revisado).

Prazo de entrega
Dia 30 de agosto de 2018, às 17 horas.

Aguardo confirmação para agendar o serviço.
Estou à disposição.
Saudações.

O dia a dia de um Revisor de Textos

O dia a dia de um Revisor de Textos

As pessoas sempre me perguntam sobre como eu trabalho, tanto clientes como alguns seguidores do Instagram, Youtube ou de meus blogues. Portanto, explico neste post como eu me organizo em meu dia a dia como Revisor de Textos. As perguntas mais comuns que as pessoas me fazem são: 1. quantas horas por dia você trabalha? Você trabalha todos os dias? Trabalha aos finais de semana? 2. Quando o texto é muito extenso, você demora quantos dias para revisá-lo? Em quantas etapas você realiza o serviço? 3. Você revisa o texto mais de uma vez? 4.Trabalha com checklists? Que tipo de intervenções você realiza? 5.Em relação à Língua Portuguesa, como você divide o seu trabalho, quais os critérios para revisão?


1. Quantas horas por dia você trabalha? Você trabalha todos os dias? Trabalha aos finais de semana?

Trabalho, de segunda a sexta-feira (se algum cliente insistir muito, e eu tiver tempo, eu, também, trabalho aos finais de semana), cerca de 8 a 11 horas por dia. Sim, eu trabalho bastante. Algumas pessoas pensam que quem trabalha remotamente como eu trabalha pouco. Algumas pessoas, sim, ao menos nos primeiros anos de desenvolvimento de negócios virtuais, trabalham muito, às vezes muito mais do que se tivessem um emprego convencional. Eu trabalho pela internet desde 2011, embora tenha blogues e sites desde 2006. No meu caso, eu não planejei trabalhar pela internet. Eu comecei a deixar os meus contatos em meus blogues e as pessoas começaram a me ligar, de todo o país. Quando eu percebi, eu estava sobrecarregado com as minhas revisões e com o meu emprego convencional de Professor. Pedi demissão e dediquei-me exclusivamente, desde aquele período, ao ofício de Revisão de Texto. Ás vezes, trabalho muito mais, mas eu me sinto muito mais realizado e feliz.   Sou Workaholic, e trabalhar para mim é uma forma de concentrar a minha energia. Eu penso bastante e tenho muita energia. Revisar Textos, muito além de uma profissão, é algo que me preenche e me mantém vivo e feliz, que, ao final do dia, me deixa em paz comigo mesmo. Eu também acredito que, por meio do meu serviço, ajudo as pessoas, e isso me deixa bastante realizado.

2. Quando o texto é muito extenso, você demora quantos dias para revisá-lo? Em quantas etapas você realiza o serviço?

Quando tenho muito trabalho, ou quando recebo textos extensos, como teses de doutorado ou livros, eu tenho de atuar com muita cautela, pois jamais penso que o objetivo em si é “encerrar o serviço”. Digo isso, pois me preocupo verdadeiramente com o texto de meus clientes e com a minha reputação como Revisor de Textos (fico até paranoico com a redação de meus posts, mas eu já me convenci que, embora eu tente bastante, é impossível atingir a perfeição, mas é possível buscá-la). E eu sei de minha responsabilidade para com as outras pessoas. Portanto, não há outra “saída” a não ser ter cautela e realizar um bom serviço. Assim, eu tenho de dividir o meu serviço em etapas. Eu não recomendo que ninguém revise, em um mesmo dia, para um mesmo gênero textual, mais do que 30 laudas. Isso porque os nossos olhares não são “biônicos”, Revisores não são oniscientes, onipresentes e onipotentes. Parece paradoxal o que direi: quanto mais nos envolvemos com algo, mais presos ficamos àquela realidade. É preciso que o Revisor se distancie do texto frequentemente, pois isso permite que a sua visão se revele mais “límpida”. E, com certeza, isso garante maior qualidade ao serviço e satisfação do cliente.
Realizo o meu serviço em quatro etapas. A primeira se refere ao diálogo com o cliente. Obtenho o máximo de informações sobre o gênero textual em si, sobre o público-alvo ao qual o autor pretende atingir com o texto, bem como sobre o contexto de circulação do texto e as expectativas do autor. Também, esclareço aos clientes o que é o meu serviço, para que não haja mal entendidos. A segunda etapa consiste em uma leitura profunda do texto, que se articula ao tipo de serviço solicitado pelo cliente, por exemplo, se o cliente solicitou o serviço de Revisão Ortográfica e Gramatical, eu realizo uma leitura mais estrutural do texto, relativa à questões de regras de uso da Língua Portuguesa do Brasil. Quando o cliente solicita um serviço mais complexo, como o caso da Revisão Crítica ou quando solicita que eu faça uma revisão seguindo critério de exigência de algum edital ou qualquer outra questão, eu preciso desdobrar essa etapa em duas outras e realizar duas “leituras” do texto.
Ao longo da “leitura” do texto, eu realizo as intervenções ortográficas e gramaticais e o que mais me proponho a fazer (alterações estilísticas, por exemplo). Ás vezes, ajusto o meu olhar mais à forma do texto, dependendo do serviço, do que ao conteúdo. Também fico atento a outras questões no texto, como períodos incompletos e características do gênero textual em si. No caso de serviço mais simples, eu acredito que tenho a obrigação ao menos de informar ao cliente o problema do texto dele (no caso de períodos incompletos no texto), por meio de mensagens deixadas em caixas de comentário. Na terceira etapa, eu volto ao texto para verificar novamente alguns períodos, faço uma leitura mais rápida e realizo, ainda, várias alterações. Por fim, eu faço um checklist para que nenhuma questão ortográfica ou gramatical passe “batida” e uniformizo várias ocorrências no texto. Quando o cliente solicita formatação, eu, geralmente, reviso o texto pela manhã e faço a formatação pela tarte. O processo funciona da mesma maneira. Em média, para cada 100 laudas enviadas, eu solicito cerca de 4 dias úteis de entrega. Para mim, é um prazo suficiente para realizar um bom serviço.

3. Você revisa o texto mais de uma vez?

Este é assunto para outro post. Mas eu realizo o meu serviço em quatro etapas, conforme informei no tópico anterior, no período de tempo que indico ao cliente. Tento não extrapolar a quantidade de 11 horas de trabalho diário. Mas, às vezes, isso acontece porque eu tenho de responder a clientes por Whatsapp, por e-mail, pelo Facebook, pelo Instagram, preciso gerar boletos, pagar impostos ao governo, falar com o meu contador,  resolver alguns problemas de meus sites e blogues, enfim. Após a entrega do serviço, eu às vezes realizo segunda ou terceira revisão. Mas estes são serviços separados. Eu cobro, geralmente, 20% em relação ao primeiro valor acordado para cada vez que o texto for encaminhado. Se houver diferença de laudas em relação ao primeiro valor acordado, eu faço uma contagem para calcular o excedente e contabilizo a porcentagem de 20% em cima, exatamente, da primeira quantidade acordada. 

4.Trabalha com checklists? Que tipo de intervenções você realiza?

Trabalho, sim. Tenho um checklist com mais de 50 problemas comumente encontrados em textos. O checklist me ajuda a manter um padrão final de checagem de qualidade, impedindo que alguns problemas básicos do texto não sejam sinalizados aos clientes. Eu também trabalho com alguns softwares que sinalizam inadequações ortográficas e gramaticais. Já trabalhei, por exemplo, com o software Flip, mas hoje prefiro o corretor ortográfico e gramatical do BbreOffice e do Word, da Microsoft.

5.Em relação à Língua Portuguesa, como você divide o seu trabalho, quais os critérios para revisão? 

Verifico vocábulos, locuções, orações, períodos, parágrafos, capítulos e o texto como uma unidade. Mas esse processo varia de acordo com o serviço solicitado. Por meio da Revisão Crítica, eu realizo quase o dobro de alterações nos textos dos clientes em relação à Revisão Ortográfica e Gramatical, mais simples. Eu, também, busco uniformizar vocábulos, para deixar o texto mais elegante. Deixo dicas relativas ao gênero em si, sugestões de reformulação de título, se for o caso, até altero a ordem de parágrafos, se, também, for o caso. Realizo uma checagem bastante completa em todos os níveis linguísticos, desde o gênero em si a questões sintáticas, estilísticas, vocabulares. Os meus clientes ficam bastante satisfeitos com os meus serviços. Eu trabalho nessa área há muitos anos. E tenho muito a contribuir para os textos de meus clientes (eu chego a realizar cerca de 10 a 20 alterações por lauda quando um trabalho está bem redigido (risos), quando o trabalho tem sérios problemas, eu chego a realizar mais de 50 alterações por lauda (o cliente receberá, praticamente, um novo texto). 

Corretor ortográfico e gramatical do Word à brasileira

Você utiliza o recurso de verificação ortográfica e gramatical do Word? Trabalha como Revisor de Textos ou já contratou o meu ou o serviço de algum outro Revisor de Textos? Então, você sabe de onde a Microsoft retirou essa ideia? Não? De cientistas brasileiros, entre eles alguns LINGUISTAS!

De acordo com o Portal Terra, a ferramenta foi desenvolvida, inicialmente, por volta de 1993, no interior de São Paulo, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), da Universidade de São Paulo, em São Carlos, a 241 quilômetros da capital.

Tudo começou em 1993, quando a Itautec, uma fábrica brasileira de computadores hoje extinta, procurou o ICMC, por causa de seus pesquisadores com formação em computação com alguma ligação com linguagem natural, para que desenvolvessem um sistema de correção ortográfica (que depois evoluiu para um recurso de correção gramatical e estilística).

Uma grande equipe foi formada, com profissionais da área de computação e linguística, para atuarem no desenvolvimento do projeto. Segundo o portal Terra:

O investimento da Itautec tornou possível a formação de uma equipe multidisciplinar, e multi-institucional, que congregava professores das universidades de São Paulo (USP), Federal de São Carlos (UFSCar), e Estadual Paulista (Unesp) do campus Araraquara, para realizar pesquisas na área de Processamento de Linguagem Natural (PLN).

“Acho que ainda em 1993 decidimos que o grupo deveria ganhar um nome, que é o mesmo até hoje: Núcleo Insterinstitucional de Linguística Computacional (NILC)”, lembra Oliveira. “A meu ver, a criação dele é o maior legado do Projeto ReGra.”

De acordo com ele, o NILC é hoje um dos maiores centros de geração de tecnologia para o processamento automático do português. “Certamente é o que mais disponibilizou gratuitamente recursos linguísticos computacionais para o nossa idioma”,diz.

A história não termina neste trecho, e é muito mais interessante do expliquei neste post. Leia mais.

Especialização em Revisão de Texto em Brasília

A minha experiência (UniCEUB)

Cursei especialização em Revisão de Texto no UniCEUB, em Brasília. Gostei bastante do curso, mas eu o recomendo para aqueles que já têm formação e trabalham na área de Revisão de Textos/Revisão de Textos.

O curso é muito bom e traz uma abordagem acadêmica, fundamentada na Linguística, ciência que estuda a Língua. Mas, também, traz discussões relativas ao uso de normas estabelecidas pela gramática normativa (especialmente no caso das disciplinas Revisão de Texto), o que atendeu a todas as minhas expectativas. A disciplina editores de texto foi fundamental para a minha formação. Aprendi técnicas avançadas do Word por meio dessa disciplina. Por meio dela, também, aprendi noções introdutórias de outros editores, inclusive, Indesign. Mas, para alguns colegas de curso, que não tinham domínio algum de uso de linguagem mais formal, uma deficiência, acredito, oriunda do ensino básico e fundamental no Brasil, essa abordagem não foi suficiente. Eles esperavam um curso mais prático, relativo ao uso regras gramaticais (relativas à gramática normativa).

Algumas disciplinas no curso são desnecessárias, como metodologia científica. Embora o curso seja lato sensu, não vejo razão para essa abordagem ao universo de Revisão de Textos. Seria mais interessante substitui-la por uma disciplina sobre empreendedorismo.  Também acredito que alguns professores que ministram algumas disciplinas no curso trazem uma abordagem bastante ligada ao ensino, ou seja, Revisão de Textos aplicada ao contexto escolar.

Grade curricular

O curso contempla as seguintes disciplinas:

Metodologia Científica 32 h/a

Estudo Comparado de Gramáticas do Português Contemporâneo 40 h/a

Da Oralidade à Escrita: o Fônico e o Gráfico 40 h/a

Morfologia do Português Contemporâneo 48 h/a

Sintaxe do Português Contemporâneo 60 h/a

Texto e Construção do Significado/Sentido 68 h/a

Revisão de Texto 80 h/a

Editores de Texto 32 h/a

Seminários 8 h/a

Didática do Ensino Superior (disciplina optativa com 60 horas-aula, cujo calendário e pagamento não estão inclusos no curso regular).

O curso tem duração, de um ano (15 meses).

Os professores que lecionam no curso são excelentes, possuem graduação em universidades renomadas como a UnB (Universidade de Brasília) e são pesquisadores. O Professor responsável pela proposta do curso, além de pesquisador na área, atuou, durante vários anos, como Revisor de Textos (o Harrison Rocha).

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Universidade Católica de Brasília (UCB)

Há uma outra oferta de curso de especialização, na Universidade Católica de Brasília (UCB).  Não conheço pessoas que fizeram esse curso, mas, analisando a grade curricular deste, parece-me, também, uma boa opção, não muito diferente da proposta do UniCEUB.

O curso tem duração, de um ano (12 meses).

GRADE CURRICULAR DO CURSO

Módulo/Disciplina Carga Horária
Ética, Conhecimento e Atuação Profissional 60h
Linguística de Texto 60h
Gestão Criativa 60h
Gramática Aplicada à Revisão de Textos 60h
Tópicos de Semântica 60h
Laboratório de Revisão de Textos 60h
Trabalho de Conclusão de Curso 30h
390h

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Algumas considerações

É importante que você saiba, futuro Revisor/Revisor de Texto, que a essência de formação nessa área não está em um curso de pós-graduação em si. Bom Revisor é aquele que se atentou, durante o ensino médio e fundamental, às disciplinas de redação e Língua Portuguesa, aquele que teve prática na área, que cursou um estágio na área, e, no mínimo, possui graduação em letras e um curso de mestrado (formação fundamental para aqueles que buscam revisar textos acadêmicos).