Os Embaixadores da Lua

Certa vez, eu viajei para a Chapada dos Veadeiros, vilarejo de São Jorge, para participar de um festival cultural.  Essa viagem foi muito bacana, especialmente do ponto de vista espiritual: a chapada é um lugar cheio de boas energias. À noite, durante o festival, eu conheci um grupo de poetas/músicos chamados: OS EMBAIXADORES DA LUA. Eu ouvi o trabalho deles e fiquei encantado. Para quem trabalha com crianças, o trabalho dos embaixadores é muito interessante, eles são contadores de história por meio de música popular.

O link para baixar o cd deles é:

http://www.4shared.com/file/124376067/ac15547a/Embaixadores_da_Lua.html.

Como escrever bem? Como escrever uma boa redação? Como escrever um bom texto?

COMO ESCREVER UMA BOA REDAÇÃO? COMO ESCREVER UM BOM TEXTO? COMO ESCREVER BEM?

1. A ESCRITA NÃO É UM DOM, É UM PROCESSO
Primeiramente, para escrever bem não é necessário estar inspirado. Escrever é técnica (talvez a literatura esteja no plano da inspiração), exige concentração, organização e revisão de texto. Sim revisão de texto.  As pessoas não têm o costume de revisar os seus escritos ou de buscar um revisor de texto, o que é um grande erro. Acredito que a escrita é importante para que se organize melhor o pensamento. Especialmente porque a escrita não é um processo tão imediato quanto a fala. Escrever é um processo e por isso o texto NUNCA está PRONTO. Como um processo, ele está em constante transformação, seja pelas novas leituras ou novo posicionamento de seu autor ou de seus interlocutores. Isso não significa que o texto é uma unidade abstrata, caótica ou que ele nunca deva estar ESCRITO, no entanto, significa que ele não é estático, ele é inserido em um contexto e dialoga com outros textos, outras leituras e permite outras interpretações além daquela de seu autor. Assim o texto gera co-autores. É por isso que alguns livros são editados novamente. É interessante observar esse aspecto a respeito do texto, pois ele pode ser metaforicamente relacionado à realidade e ao conceito de ciência. A verdade não é estática, não é concreta e acabada como em uma visão positivista, ela não é absoluta.

2. PARA ESCREVER BEM É IMPORTANTE “ESCREVER”
Eu já ouvi de várias pessoas que é importante ler para que se escreva bem. Eu diria que essa não é uma relação unilateral. É extremamente importante ler. Mas é muito importante que se escreva. Se não se exerce a escrita, como é possível escrever bem ou produzir um bom texto? Eu sempre disse para os meus alunos escreverem: diários, blogs, cartas… e que revisassem os seus escritos, especialmente quando são avaliados, seja uma prova de vestibular, ENEM, concurso.

3. ATENÇÃO AO GÊNERO TEXTUAL E ÀS SUAS CARACTERÍSTICAS
Uma etapa importante no momento de se escrever um texto é estar atento ao gênero textual proposto. Muitos estudantes sempre são penalizados nesse quesito. Eu poderia dizer grosseiramente que um gênero textual é um “texto” em um contexto e exige características que dependem do contexto. Por exemplo, uma carta pessoal ou um documento oficial são gêneros distintos, que referem-se a contextos distintos. O primeiro não é tão criterioso quanto aos aspectos de formalidade do segundo. Cada gênero tem a sua característica. Cartas exigem vocativo, diferente de uma receita de bolo.

4. ATENÇÃO À LETRA OU À FORMATAÇÃO
Se o seu texto for digitado, sorte de quem o ler. Mas deve-se estar atento à formatação, aos espaçamentos entre os caracteres, aos parágrafos, aos recuos. Porém, se o seu texto for escrito, escreva com letra legível, atenção às marcações de parágrafo, não exagere, não escreva com espaços longos entre os caracteres, escreva até o final da linha.

5. ATENÇÃO AOS COMANDOS DA PROPOSTA DE REDAÇÃO
Em caso de provas, siga os comandos do enunciado. Em alguns concursos e provas de vestibulares, você só dará um título a sua redação caso seja solicitado. Você também não deverá assinar ou marcar a sua folha de redação.

6. TEMA
Independente do gênero, é de extrema importância conhecer o assunto sobre o qual se escreve. No caso de dissertação, é importante dominar o tema proposto. Algumas bancas examinadoras têm grande enfoque nesse quesito, pois é por meio dele que o candidato apresenta a sua visão de mundo, a sua capacidade de interdisciplinaridade e intertextualidade. Então, estudem o tema proposto. Eu diria que o conhecimento de teóricos da sociologia em geral podem auxiliar as ideias de sua dissertação, você pode citá-los e fazer uma crítica. A grande questão está no reconhecimento de que a opinião em si não possui tanto valor neste caso. Ou seja, não se escreve a partir da aleatoriedade, de achismos. Segundo Platão, a opinião é o intermédio entre o ser o não ser, ela não possui tanto valor e optar por ela pode ser a escolha para uma nota baixa. É importante aqui diferenciar opinião e crítica. Um posicionamento crítico, embasado em reflexão é muito significativo. Isso não significa que você deve discordar de um determinado assunto, a crítica refere-se ao seu estar no mundo, às suas interpretações sobre o mundo, as suas leituras de mundo a partir de outros autores. Eu diria, para finalizar, que deve-se tomar cuidado com a crítica quando ela tende ao clichê. O clichê não é um erro, mas ele pode comprometer a originalidade e o interesse de muitos leitores em seu texto, alguns argumentos já estão “batidos” e cristalizados. Por exemplo, no caso de escrever bem, o argumento de que é preciso ler para escrever é um clichê, além disso, considero essa afirmação vazia e carente de reflexão, pois ler não implica necessariamente em uma boa escrita. O clichê será o responsável, muitas vezes, por uma nota média, mas não alta. Além disso, cuidado com argumentos religiosos, o estado brasileiro é LAICO, o conhecimento científico e a escola como parte desse processo não devem ser embasados em argumentos religiosos, deve-se prezar pelo respeito aos direitos humanos em sua argumentação, não sigam o exemplo de Marco Feliciano e Silas Malafaia.

7 . PROGRESSÃO TEXTUAL
Atenção à sequência temporal e lógica de suas ideias. Cada parágrafo possui orações que precisam estar interligadas com a ideia central do parágrafo. E cada parágrafo precisa constituir o seu texto como uma unidade, o que significa dizer que os vocábulos, as orações e os parágrafos precisam ser amarrados ao TEXTO. Eu considero essa etapa um grande problema para muitos alunos.

8. COESÃO E COERÊNCIA
A coesão refere-se aos aspectos estruturais do texto e relaciona-se ao sentido, ou seja, à coerência. Para que haja coesão é necessário o domínio das regras da língua, o que não significa necessariamente as regras da gramática normativa. Se o seu texto é mais informal, a coesão não será estabelecida por meio da norma formal. A coerência refere-se ao próprio conhecimento sobre o qual você escreve. Os seres humanos são extremamente incoerentes em seus discursos, às vezes brigam com os seus vizinhos e voltam a falar com eles sem justificar o ocorrido, de maneira incoerente. O seu texto não deve seguir essa característica.

9. PONTUAÇÃO, ORTOGRAFIA E ASPECTOS GRAMATICAIS
No caso de gêneros textuais mais formais e considerando-se todos os gêneros textuais, é importante o domínio da gramática normativa e de pontuação, respectivamente. Um texto formal exige linguagem formal, um texto informal exige linguagem informal, mas ambos exigem o uso adequado de pontuação e ortografia correta. A minha dica aqui é: consulte manuais (gramáticas) e dicionários.

10. ESTILO
Deve-se estar atento ao estilo, um aspecto mais subjetivo de seu texto. Engana-se aquele que acredita naqueles manuais antigos e positivistas que diziam que um texto tem de ser objetivo. Não é possível separar a subjetividade do autor de um texto, independente do gênero textual ou da linguagem, ainda que você indetermine o sujeito. Na verdade, o que esses manuais talvez queiram dizer é que é preciso tomar cuidado com períodos longos e com a diferença entre opinião e crítica.  O estilo refere-se ao seu posicionamento no texto, a uma marca de subjetividade.

11. REVISÃO DE TEXTO
Reforço aqui a importância da revisão de texto, seja por um profissional qualificado nesta área ou mesmo pelo próprio autor de um texto. Se você está escrevendo a sua dissertação de mestrado, tese de doutorado, livro ou artigo, eu trabalho com revisão há cinco anos e posso ajudá-lo. Sugiro o seguinte site para revisão textual: www.criteriorevisao.com.br.

Consultoria

BRASÍLIA – AULAS PARTICULARES

catalog_bookAulas particulares? Entre em contato conosco. Somos um grupo de alunos da UnB (Universidade de Brasília) que oferece reforça para o ensino Fundamental e Médio de todas as disciplinas de Humanas. Além disso, também oferecemos aulas personalizadas de redação e de gramática para concursos, vestibulares e outros.

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BRASÍLIA – REVISÃO DE TEXTO

Você está escrevendo o seu trabalho de conclusão de curso, dissertação de mestrado, tese de doutorado ou precisa revisar um livro antes de publicá-lo? Necessita de revisão para empresa/ONG por preços acessíveis e trabalho de qualidade? Entre em contato conosco. Somos um grupo de revisores da UnB (Universidade de Brasília), da graduação e da pós-graduação. Trabalhamos com revisão de texto há cinco anos. Revisamos monografias, teses, dissertações, livros, anúncios publicitários, redações de vestibulares e também prestamos serviços de revisão para órgãos públicos.

Obs: possuímos CNPJ e atestado de capacitação técnica. Também emitimos nota fiscal.

Atenção: nós não elaboramos trabalhos acadêmicos. Isso é uma atividade ILEGAL.

Obs: possuímos CNPJ, atestado de capacitação técnica, emitimos nota fiscal e, também, temos registro no CNPq (clique na imagem à direita para visualizar).

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Valores e serviços

Oferecemos os seguintes serviços:

1 – formatação (conforme a ABNT ou manual desejado): 4,00 reais a lauda. Inclui formatação conforme as Normas da ABNT ou manual desejado;

2 – revisão ortográfica e gramatical: 5,00 reais a lauda. Inclui revisão ortográfica conforme o Novo Acordo Ortográfico, aspectos de concordância/regência nominal e verbal, crase, pontuação e outros aspectos gramaticais relativos à linguagem do gênero textual proposto;

3 –  revisão ortográfica e gramatical  + formatação (ABNT ou manual desejado): 7,00 reais a lauda.  Inclui revisão 1 + formatação (ABNT/outros);

4 –  revisão crítica: 10,00 reais a lauda. Inclui revisão 1, além de sugestões estilísticas, *reescrita/sugestão de reescrita de parágrafos mal elaborados, adequação vocabular, progressão textual e aspectos de coesão e coerência. Essa revisão também inclui sugestões e dicas em relação ao gênero textual proposto.

5 – revisão crítica + formatação (conforme ABNT ou manual desejado): 12,00 reais a lauda.  Inclui revisão 4 e contempla algumas questões relativas à padronização de seu texto que não são estabelecidas, por exemplo, pelas normas da ABNT (ou pela maioria dos manuais universitários) e por manuais gramaticais ou ortográficos, como é o caso de uniformização de siglas, uniformização de pontuação ao final de enumeração, uniformização de iniciais minúsculas ou maiúsculas, uniformização de extensão de parágrafos, enfim, questões relacionadas à lógica organizacional do próprio texto e de seus elementos.

Obs: 1 lauda = 1.300 caracteres

Em arquivo Word, as alterações são marcadas por meio da ferramenta REVISÃO. Em alguns casos, haverá sugestões em caixas de comentários do documento, que precisam de mediadas pelo escritor. Após a finalização de nosso serviço, basta ACEITAR ou RECUSAR as alterações realizadas(em caso de dúvidas, nós iremos auxiliá-lo(a), nesse processo).

Esse processo é importante para que você visualize as alterações feitas em seu texto para compará-las, se desejar, com o seu texto original.

Em arquivo Pdf, há apenas sugestões de reescrita em caixas de comentário.

Se você desejar personalizar essa etapa, envie-nos a sua sugestão e as marcações da revisão serão adequadas às suas necessidades. Caso seja solicitado, também oferecemos pacotes de revisão personalizados. Envie-nos um e-mail para solicitar um orçamento.

O seu texto será lido por dois revisores, o que garante maior eficácia à revisão.

ATENÇÃO: NÃO oferecemos “revisões infinitas”. Cada revisão custa um valor. Consideramos revisão de texto como um processo e não como um resultado absoluto, quantitativo e positivista. Não compartilho do pensamento de alguns que consideram-me como um MESSIAS de seus textos mal escritos, um Zaratustra vernáculo cimarrón que faz “milagres textuais”. O texto, antes de qualquer revisão, é produto da subjetividade humana e a linguagem de cada texto depende do gênero textual proposto.

Orçamento

Após abrir o seu documento, clique na última página, pois, às vezes, o word não faz a contagem corretamente dos caracteres.

Para conferir a quantidade de caracteres de seu documento, clique, na barra de documento do Word, em “palavras” (Em caso de documento PDF/outros, envie-nos um e-mail: andersonhander@gmail.com).

Sem título

Em seguida, será aberta a seguinte caixa de diálogo:

Sem título

Divida a quantidade de caracteres com espaços por 1.300 (1 lauda = 1.300 caracteres) e multiplique o valor obtido pelo valor da revisão desejada: esse será o valor final.

Se desejar, envie-nos o seu documento e faremos o seu orçamento:

e-mail: andersonhander@gmail.com

Formas de pagamento

À vista ou em até 12 vezes no cartão de crédito (visa/mastercard).

Prazos de entrega 

Os nossos prazos são variáveis, mas, em média, para cada 100 laudas, solicitamos prazo mínimo de 4 dias.

ATENÇÃO, se você necessita de prazos inferiores aos que informamos, cobramos adicional de 1,50 por lauda sobre o serviço, se pudermos atendê-lo(a).

Portfólio

Serviços prestados para empresas, Ong’s e órgãos públicos:

Fundação Cultural Palmares. Revista Palmares. 2014. (Revista)

ONU (Organização das Nações Unidas). 2014* (Inventários).

Instituto Positivo. Editais e documentos. 2014. (Editais)

Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-DF). Cartilhas dos síndicos: obras e serviços de Engenharia e Agronomia: o que é preciso saber. 2014. (Cartilha)

Capital Steakhouse. Cardápios de vinhos e comidas. 2014. (Cardápios)

Autor: Lourival Lopes. Sementes da felicidade. Editora Otimismo. 2014. (Livro)

Autor: Lourival Lopes. Ânimo! Editora Otimismo. 2014. (Livro)

Serviços prestados para estudantes e escritores/outros:

Discussões atuais de Direito Penal: relato de uma breve experiência na Alemanha. Bruno Espiñeira Lemos. 2014. (Livro)

O Guia de Bolso para Gestão da Mudança. Instrumentos para gerenciar a mudança. Change Guides 2014. Kate Nelson e Stacy Aaron.Tradução de Armando Kokitsu. (Livro)

Autor: Cláudio Bernardo. Universidade Federal de Goiás (UFG). O uso da televisão/vídeo no ensino da Teoria dos Modelos Atômicos. Área: química, educação. 2013. (Artigo)

Autor: Luís Felipe Gonçalves Fonseca. Universidade de Brasília (UnB). Identidades polinomiais graduadas de álgebras sobre um domínio de integridade. Área: Matemática. 2013. (Tese de doutorado)

 Autor: Ricardo Jacarandá de Faria. Universidade de Brasília (UnB). Avaliação de IgG4 em pacientes com doença inflamatória intestinal e insuficiência pancreática exócrina. Área: medicina. 2013. (Dissertação de mestrado)

Autor: Nonato Veloso Filho. Universidade de Brasília (UnB). Arquitetura Paulista e os concursos nacionais de arquitetura: de 1990 a 2010. Área: arquitetura e urbanismo. 2013. (Tese de doutorado)

* Possuímos mais de 10 atestados de capacidade técnica emitidos pelo governo e por instituições privadas. No último ano, revisamos mais de 15 mil laudas. Temos 100% de nossas negociações qualificadas no site pagseguro.

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PRESCRIÇÃO X DESCRIÇÃO – A GRAMÁTICA E A LINGUÍSTICA

É muito interessante ouvir qualquer um hoje falar de Língua Portuguesa sem ao menos ter uma visão crítica sobre o assunto. O que também me chama atenção é o fato de ser comum o discurso do falante de português do Brasil de não saber falar a sua própria língua. É claro, que por trás desse discurso, há uma complexa relação com a convenção gramatical, a desvalorização da linguística ou falta de informação sobre essa ciência, a banalização da educação brasileira e também o fato de não haver no Brasil, ao meu ver, uma identidade nacional, ao ponto do indivíduo dessa nação dizer que não sabe a própria língua, o que justifica o fato de os portugueses terem dito que nós deturpamos a língua de Camões.

Compreender o que é língua envolve uma compreensão história sobre os estudos linguísticos. Essa reflexão história é importante para a compreensão sobre a separação entre a gramática e a linguística ao longo dos séculos. Ao se estudar a história da linguística/gramática, pode-se perceber que antes de surgir a linguística, havia uma interpretação de que existiam línguas inferiores e superiores por parte de alguns gramáticos, essa definição era explícita em suas gramáticas.

Por um vasto caminho de reflexão ao longo dos séculos, desde os gregos (grandes pensadores do fenômeno da linguagem), os estudos de língua fizeram-se presentes. Assim como várias áreas do conhecimento, o conhecimento da área da linguagem produziu falácias, preconceitos, interpretações errôneas… É interessante notar, porém, que não havia uma distinção entre gramática e linguística no período anterior ao surgimento da linguística como ciência. Essa distinção será acentuada nas últimas décadas, especialmente, por meio da crítica de muitos linguistas aos gramáticos. O problema aumenta em relação ao conceito de erro e de norma. O que é erro? O que é norma? O primeiro não é um termo que me parece adequado para se falar de língua, especialmente se entendida em função de uma cultura. O segundo, também é perigoso, uma vez que existem várias “normas”, mas muitos pensam que existe apenas a norma padrão/padrão (e então surge a confusão entre norma culta e norma padrão). Muitos pensam que só existe norma e regra na linguagem formal. Ora, a fala também segue uma regularidade. Afinal, ninguém “fala” por meio de um arranjo caótico e aleatório de “estruturas”. Ou seja, existem várias normas e elas dependem do contexto de uso do falante ou do gênero textual.

A gramática possui caráter prescritivo, ou seja, tende à subjetividade de seu analista, o que significa dizer que ela descreve a língua (de uma maneira não muito científica e às vezes questionável) e faz julgamento de valor a respeito dos seus falantes. A problemática dessa análise está no fato de a gramática perder a sua objetividade (se é que esse termo deve ser empregado aqui, uma vez que está atrelado a um modelo positivista de pensamento) ao manchá-la com o achismo (no sentido de afastamento da racionalidade e da reflexão) de seus pesquisadores que ignoram a crítica de ciências como a antropologia, que não está em busca de generalizações para os padrões culturais antrópicos, muito pelo contrário, tende à alteridade. É nesse momento que o falante de português do Brasil inicia o seu célebre discurso ao negar que ele não sabe falar português ou ao dizer que a sua língua é muito difícil (para ele mesmo). Eu só me pergunto o seguinte: difícil em relação a…? O problema é que a escola manutencionou, durante anos, esse ensino prescritivo sobre a Língua Portuguesa. Eu não estou defendendo aqui uma neutralidade a respeito do pesquisador/analista/estudioso, defendo, no entanto, um julgamento racional. O que talvez os gramáticos e todos aqueles indivíduos que carecem de um pensamento crítico não saibam é que quem faz a fala de uma língua é o seu falante e quem valida essa fala é o grupo de falantes que possuem características culturais comuns, inclusive, porque não há língua sem interação social.

Esse assunto é delicado, especialmente por tratar de uma questão que para muitos não está explícita: relações de poder. Se muitos professores, gramáticos e outros cidadãos insistem em dizer que a gramática deve ser sobreposta à fala, obviamente, o que eles conseguem evidenciar, uma vez que todos falam, é um grande abismo socioeconômico que separa o indivíduo não escolarizado que fala (uma considerada língua inferior) do indivíduo escolarizado que fala (uma língua superior), embora haja um grande distanciamento, em todos os casos, da norma gramatical tradicional. O mesmo ocorre em relação aos indivíduos de regiões geográficas menos prestigiadas economicamente no Brasil, como é o caso do nordeste com o ridicularizado falar nordestino. Nesse caso, porém, o estigma recai sobre ricos e pobres. Imagine a seguinte situação: um antropólogo viaja para uma tribo indígena para descrever os aspectos culturais desses povos. Ao chegar lá, ele observa que é comum, nessa cultura, os seus indivíduos comerem baratas. Esse indivíduo ao contrário não come baratas e ao se deparar com tal situação preenche em seu formulário de descrição da cultura em estudo, que esta é uma cultura suja e primitiva. É nesse momento que surge a noção de ERRO. O Que o antropólogo fez, no entanto, foi evidenciar o seu achismo em sua pesquisa. Isso é o que ocorre com a análise PRESCRITIVA de muitos GRAMÁTICOS.

Os linguistas, por sua vez, orgulhosos pelo caráter científico que o seu estudo lhes é dado, consideram a gramática tradicional, um modelo falho de estudo, incapaz de descrever precisamente a LÍNGUA portuguesa. Para eles, o nativo de uma língua não comete erro. A noção de erro poderia ser aplicada a um estrangeiro em um processo de aprendizagem de uma língua estrangeira. Mas não ao nativo de uma língua que FALA essa língua. De acordo com uma corrente linguística chamada: gerativa, o nativo de uma língua possui uma espécie de “gramática” interna, em sua estrutura cognitiva, responsável pelas regras de sua língua falada. É o que eles costumam chamar de: GRAMÁTICA UNIVERSAL (GU). A gramática Universal corresponde à capacidade inata de um falante de qualquer língua falar. Isso explica a competência de um falante para falar qualquer língua ao nascer, em qualquer cultura e também a capacidade de formulação de estruturas diversas em uma língua, ou seja, a criatividade linguística. A teoria linguística realmente faz muito sentido em relação ao fenômeno da linguagem. Nessa perspectiva, a gramática normativa não consegue explicar a diversidade e real complexidade dos processos de estruturação da língua portuguesa. No entanto, muitos linguistas não trabalham com este conceito: o ensino de gramática normativa é fundamental em nossa sociedade (talvez muitos concordem com o ensino de gramática normativa, mas não da maneira pela qual é ensinada: por exemplo ensinar nomenclatura de função sintática). Apesar de a língua ser heterogênea, explicada por meio de suas variantes, em cada uma das regiões em que se fala o português do Brasil, é importante que haja uma padronização de sua estrutura, em alguns aspectos da comunicação, especificamente, em relação à linguagem escrita FORMAL. Linguagem falada não equivale à linguagem escrita formal. A escrita formal deve ser baseada na gramática, e ainda assim isso é questionável, pois existem, eu diria, níveis de formalidade, mas nenhum deles tende à plenitude objetiva da desejada norma padrão (quase irrealizável nesse sentido, inclusive porque refere-se a uma concepção absoluta). A fala e alguns gêneros textuais informais seguem outras normas. Embora a gramática ainda seja muito valorizada, a língua não serve apenas aos poetas e estudiosos. Ela também é utilizada por outras camadas sociais, inclusive as desprestigiadas, por aqueles indivíduos que não são escolarizados, por exemplo e se afastam da norma idealizada. E é nesse momento que as aplicações da gramática tradicional tornam-se perigosas. Os gramáticos e muitos professores desinformados exigem que indivíduos não escolarizados falem conforme a norma gramatical. Eles partem da análise prescritiva. Ou seja, eles querem impor a normal gramatical à língua falada de um grupo que muitas vezes nem foi a uma sala de aula. Você não deve pensar, no entanto, que a gramática é a grande vilã dos não escolarizados, porque ela não é. Se um grupo social não teve acesso à escola e a sua fala é marcada por traços de indivíduos não escolarizados, pertencentes a um grupo social específico, indivíduos talvez pobres; a questão não é meramente estrutural, linguística, porque esse é um problema socioeconômico. E esse grupo deveria aprender a gramática, especialmente porque é por meio dela que ele poderá ascender socialmente. Eu quero dizer que a gramática tradicional é muito valorizada em nossa sociedade. Ela ainda é utilizada em concursos e vestibulares, por exemplo. Em relação à língua falada formal (tão idealizada: pais corrigindo os falares de seus filhos, professores corrigindo a fala de seus alunos), eu diria que é praticamente impossível existir um falante que fale em sincronia com as normas da gramática tradicional. Nem mesmo o indivíduo mais bem escolarizado ou pedante conseguirá ocultar o caráter subjetivo existente em uma língua e ser completamente objetivo e formal. Eu vou citar um claro exemplo. Quando eu estagiei no Supremo Tribunal Federal – Seção de Padronização e revisão de textos, eu pensei, assim que fui selecionado para a vaga de estagiário revisor, que haveria uma formalidade extrema em relação às práticas sociais e linguísticas nesse local. No entanto, isso não ocorreu. Havia uma formalidade no local e na fala das pessoas ali presentes, mas a subjetividade era inerente ao que cada um de seus indivíduos são, independente de qualquer cargo jurídico: seres humanos. Eu me lembro de que eu enviei um e-mail para a minha chefe e encerrei o fechamento deste com os dizeres: “Respeitosamente, Anderson Hander”. A minha chefe respondeu esse e-mail com o seguinte fechamento: “Beijos! Fulana de tal”. E não foi apenas ela quem me respondeu e-mails dessa maneira, todos os servidores que eu conhecia respondiam os meus e-mails da mesma maneira. O que me fez pensar que eles queriam tornar aquele ambiente de trabalho um local cordial e acolhedor. Eu pensei que talvez os Ministros estivessem próximos dessa formalidade linguística citada anteriormente, mas eu também me enganei. Eu li, várias vezes, vários acórdãos dos Ministros do STF e essas decisões eram feitas oralmente, porém, um escrivão transcrevia os acordos para o papel, posteriormente, eles eram publicados em uma revista trimestral de jurisprudência. Eu notei, lendo esses acordos, em relação ao purismo gramatical divulgado por ai, que eles eram hibridos, ou seja, o texto não era completamente formal, havia marcas de informalidade em relação à transcrição da oralidade dos ministros.