8 mitos (comentados) relacionados ao universo de Revisão de Texto

8 mitos (comentados) relacionados ao universo de Revisão de Texto

1- A Revisão de Texto busca tornar o texto mais objetivo.

Não necessariamente. Primeiramente, é bastante complexo falar em objetividade no caso de textos, que são produtos da subjetividade humana. Um texto, mesmo que não seja redigido em primeira pessoa do singular ou plural, JAMAIS, será objetivo. A questão da objetividade textual é um mito próximo (posso fazer esse paralelo) à questão da neutralidade científica. É muito complicado fazer esse tipo de afirmação hoje, no século XXI.

2- Todo Professor de Língua Portuguesa é Revisor de Texto.

O curso de Letras não busca formar Revisores de Texto, embora possa trazer uma base para o futuro Revisor. Revisores de Texto precisam de formação para exercerem essa Profissão. E o requisito mínimo, acredito, é um curso de pós-graduação. No caso de Revisores que queiram trabalhar com textos acadêmicos, um curso de mestrado é fundamental. Professores de Língua Portuguesa estão acostumados a “corrigirem” textos produzidos por estudantes (ensino fundamental e médio). Revisores precisam de experiência em relação a vários gêneros textuais: cardápios de vinhos, textos institucionalizados, textos publicitários, dissertações, artigos acadêmicos. O conhecimento sobre as características de um gênero textual, bem como sobre o público-alvo ao qual o texto se destina, são fundamentais para que o Revisor compreenda qual linguagem deve ser observada no texto.

3- O Revisor de Texto é responsável por questões relativas ao conteúdo no texto.

Não! O que pode ocorrer é que Revisores façam algum apontamento sobre alguma questão relativa à coerência de alguma oração, mas esse olhar está atrelado, diretamente, à forma do texto. Existem profissionais responsáveis por um olhar técnico, relativo ao conteúdo de um texto (esse ofício é realizado, geralmente, por um profissional da mesma área de atuação do escritor do texto). De qualquer maneira, é importante que o Revisor de Texto tenha contato com outras áreas do conhecimento, senão a sua, para que a Revisão seja mais eficaz. Revisores são profissionais que devem estar informados, a própria prática da profissão leva a essa formação em virtude de Revisores terem grande carga de leitura em relação a diversos gêneros textuais de diversos ramos do conhecimento.

4- Todo serviço de Revisão de Texto inclui reescrita de períodos mal elaborados.

Não! Revisão de Texto é um termo muito abrangente. Existem vários tipos de serviço de Revisão e não necessariamente eles incluem reescrita de períodos mal elaborados (inclusive, porque, questões gramaticais são diferentes de questões estilísticas). É possível que, por exemplo, um parágrafo de um texto esteja, gramaticalmente, adequado, mas, estilisticamente, não se alinhe ao gênero textual.

5- A Revisão de Texto inclui observações relativas à formatação.

É preciso saber os limites de atuação do Revisor e do ofício de Revisão de Texto. Revisão de Texto, Diagramação, Formatação são ramos diferentes, mas que se completam. Esperar que um Revisor de Texto diagrame um texto e formate pelo mesmo serviço oferecido (Revisão de Texto) é um equívoco. É possível que haja algum Revisor que tenha formação para diagramar e formatar textos, mas, não necessariamente, isso implica que ele, automaticamente, realize esse serviço. É preciso verificar a oferta de serviço de cada Revisor de Texto e negociar o que será e o que não será feito no texto.

6- O Revisor de Texto deve estar atento aos aspectos não verbais do texto, portanto, deve preocupar-se, esteticamente, com o texto.

Revisor de Texto não é Designer, embora o conhecimento desse ramo, bem como da semiótica sejam complementares ao ofício de Revisão de Texto. Eu, por exemplo, ofereço um tipo de Revisão que se preocupa com essas questões estéticas, em relação, por exemplo, a gêneros textuais publicitários (mas essa oferta articula-se ao fato de eu ter experiência na área de semiótica social, o que me permite lançar um olhar sobre questões não verbais no texto. Não são todos os Revisores que possuem essa formação ou que têm um olhar preocupado com questões estéticas).

7- O papel do Revisor de Texto é, sempre, tornar a linguagem de um texto mais correta (próxima às normas da Gramática Normativa)

Não necessariamente. Há textos que exigem uma linguagem mais popular, mais informal, cujas regras são diferentes das regras da Gramática Normativa. É preciso que haja um diálogo entre Revisor e Escritor para que essas questões sejam melhor compreendidas.

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Quando a responsabilidade não é mais do revisor de texto

Muitos esperam do revisor de texto uma atitude messiânica, ainda mais no Brasil. Esperam que ele seja uma espécie de Zaratustra, uma memória gramatical ambulante, uma gramática, um dicionário, ou mesmo que ele seja o próprio autor ou um ser onisciente, onipotente, que tudo sabe e que tudo vê.

Mas, na verdade, há alguns limites em relação a esse Ofício que muitos não compreendem. Gostaria de expor alguns:

1. Revisão de Texto não consiste em intervenções “infinitas” em texto

Para cada olhar que o revisor direciona ao texto, tem-se um “novo olhar”. Isso deve-se ao fato, especialmente, de a nossa percepção não ser capaz de, em um mesmo olhar, ter consciência absoluta sobre a realidade. Por isso, um mesmo livro pode ter várias edições. Além disso, o olhar do Revisor jamais poderia ser absoluto porque a realidade não revela-se dessa maneira. A realidade é mutável e o texto como produto desta jamais será um processo definitivo.

Por essa razão, os revisores combinam valores a respeito de intervenções “pós-revisão” no texto. Além disso, algumas empresas ou revisores trabalham em parceria para que o texto seja revelado em uma multiplicidade de olhares, o que constitui uma estratégia mais eficaz à revisão.

2. Revisão de texto não consiste em elaboração de trabalhos acadêmicos 

O Revisor de Texto até pode reescrever alguns períodos mal elaborados (com base no conteúdo do autor ou com base em uma conversa com o autor), mas não pode e não deve redigir trabalhos acadêmicos e aqueles que acreditarem nisso estarão fadados, com certeza, ao fracasso, pois seria muito improvável e difícil uma mesma pessoa de uma àrea conseguir desenvolver um estudo em várias outras. Ainda que os gêneros acadêmicos tenham algum padrão a ser seguido, é preciso ter conhecimentos específicos em determinadas áreas para o desenvolvimento de trabalhos acadêmicos.

3. Se houver problemas em relação à linguagem informal do texto, não necessariamente uma simples revisão ortográfica e gramatical será suficiente para para que o texto seja melhorado

Existem vários tipos de oferta de serviço de Revisão de Texto e, inclusive, cada profissional pode concebê-la de determinada maneira. Ou seja, não encaminhe o seu texto a um revisor, esperando que este revise o seu texto como se essa atividade fosse tão genérica e objetiva. Revisão de Texto é uma área, assim como qualquer outra, muito abrangente. Os leigos, por outro lado, insistem em vê-la como uma profissão limitada que se resume a “somente ler” ou “somente a aplicar regras gramaticais” e , portanto, acreditam que qualquer um pode exercê-la, ou atribuem fielmente o status de Revisor a qualquer jornalista, professor, tradutor e até mesmo poeta. Essa “confusão”, embora seja aceita, não é, necessariamente, verdadeira.

Portanto, se você contrata um serviço somente de Revisão ortográfica e gramatical, não espere intervenções estilísticas em seu texto e padronização, por exemplo. Às vezes, mesmo que o revisor faça alterações de maneira a deixar o seu texto de acordo com as Normas do Novo Acordo Ortográfico ou gramaticalmente adequado, coeso e coerente, em relação à regência nominal, verbal, bem como de acordo com outras questões pontuais e objetivas de gramática formal, isso pode não ser suficiente para melhorar o seu texto. O seu trabalho pode conter sérios problemas em relação ao conteúdo em si (o que não é responsabilidade do revisor), bem como o seu estilo de escrita pode ser informal para determinado gênero (o revisor pode ajudar nesse processo, mas, geralmente, reescrita de períodos mal elaborados ou interferência em estilo no texto tem custo além de uma simples revisão ortográfica e gramatical).

Isso significa que, no universo de Revisão, cada serviço custa um preço. O serviço mais barato não inclui o serviço mais completo. Muitos utilizam do argumento de que a finalidade da Revisão de Texto é melhorar, incondicionalmente, texto. Mas, se você solicita o serviço de uma simples intervenção ortográfica e gramatical, e o seu texto possui problemas que estão além desse serviço, não espere que o Revisor faça, gratuitamente, esse serviço. Esses esclarecimentos são importantes para que não haja mal entendidos durante a negociação desse serviço.

4. A responsabilidade do texto do escritor/cliente é dele mesmo

A responsabilidade do texto de cada escritor é dele mesmo. O revisor é um intermediário nesse processo. Inclusive, se um escritor insistir em manter uma vírgula inadequada, em desacordo com a gramática normativa, no texto dele, não há nada que o Revisor possa fazer. Por essa razão, é importante saber como será entregue o texto revisado ao autor. Alguns revisores encaminham uma versão com as alterações a serem visualizadas, de modo a estas serem aceitas ou não pelo autor ou uma versão com todas as alterações aceitas.

5. Não necessariamente o Revisor de Texto formata trabalhos acadêmicos

Revisão de Texto não equivale necessariamente à padronização ou uniformização de textos/trabalhos acadêmicos. Eu costumo deixar bem clara essa diferenciação. Inclusive, atuo em parceria com um profissional que é apenas padronizador e não é Revisor de Texto, o que é bom, pois essa separação especializa mais ainda cada um desses serviços, evitando determinados vícios aos olhares do Revisor. Portanto, padronização e revisão de texto constituem atividades diferenciadas que têm preços diferenciados.

O que é revisão de texto?

O que é revisão de textos

Revisão de textos consiste na atividade em que são realizadas interferências que têm como objetivo a melhora do texto.

Neto (2008) afirma que o Revisor de Textos deve se ater aos detalhes de forma consciente, pois nesse momento o conteúdo será aprimorado, não apenas com relação à coesão e coerência, mas em relação a questões ortográficas e gramaticais e também aos “deslizes praticados pelo autor”.

Segundo ele “qualquer autor, por melhor que seja, comete erros, emite conceitos incoerentes, é repetitivo, fica cego, às vezes, a coisas absurdas que o texto contém”. Dessa forma, a revisão de textos é essencial.

Para Rocha (2012), a revisão não deve se prender apenas aos aspectos gramaticais. O revisor deve analisar o contexto discursivo sociocomunicativo no qual o texto está inserido.

A intenção primária de uma revisão de textos busca fazer com que o leitor final chegue o mais próximo possível daquilo que o autor tinha em mente ao escrever, para isso o Revisor faz as intervenções necessárias, sem, no entanto, modificar o texto.